Era noite de Natal em Benfica, as malas estavam preparadas para o dia seguinte. Dentro dela levavas um presente fresco: um CD precioso que te acompanhava para perto de uma realidade que, de tão desconhecida, te fascinava já em tenra idade. Querias saber como era a vida lá do lado da América.
Não havia iPads, não havia iPhones, não havia Twitter, não havia Facebook, nem sequer máquinas fotográficas digitais. Cada rolo fotográfico era cuidadosamente guardado. Nada se partilhava senão com quem estava fisicamente à nossa volta ou com aqueles que, próximos e interessados, se juntavam a nós à mesa no regresso.
Nem sonhando que um dia um tal de iPod iria aparecer, tu estavas entusiasmadíssima com a ideia de substituir o leitor de cassetes da tua irmã por aquele a que tu chamavas “o homem do disco”. O precioso discman que compraste em Nova Iorque acompanhou-te durante largos anos. Em eras longínquas à dos iPhones, cada play era um gasto de bateria, cada música era ouvida do início até ao fim, e cada álbum era saboreado como um todo, estimulando o nosso espírito crítico. Não à mercê de playlists que desenhamos hoje consoante o nosso humor.
Ansiosa por colocar o teu novo CD no teu novo discman cinzento, mal sabias que o som que te entrava nos ouvidos te traria memórias desta nitidez quase 15 anos mais tarde.
Ouviste esta e outras músicas naquele andar alto do hotel, ouviste-as nos táxis com aqueles motoristas barbudos, ouviste-as nas lojas enquanto se faziam compras, e ouviste-as ao longo daquelas ruas engolidas por arranha-céus, decoradas com luzes amarelas pequeninas. Apitaste ao passar no controlo de segurança de uma das torres gémeas, porque trazias o discman no bolso do anorak. Quando subiste lá acima foi uma das raras vezes em que o teu discman perdeu importância.
Naquela cidade fez muito frio; foi a primeira vez na tua vida que sentiste temperaturas negativas. E assim te rendeste ao norte.
O ano de 1997 estava a acabar, e a tua vida a começar.
Foi ao som do teu discman que te apaixonaste pela cidade que iria mudar-te para sempre.
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gosto quando falas para ti. bom de ler. <3 eu também tive um discman. avariou…
Saudades de Nova Iorque!
Saudades de coisas simples!
Despertares…
Que bonito Debbie.
Eu ainda tenho o meu discman (e funciona).
Seguido leio o teu blog, interessantes teus posts.
Te escrevo para divulgarmos nosso blog, ainda está em processo de expansão. Se quiser nos acompanhar e dar umas risadas: http://www.o-cercadinho.blogspot.com
Será um prazer te ter nos visitando lá. O que é O Cercadinho? Segue uma apresentação para te situares. Em cada relacionamento afetivo, os envolvidos ficam restritos a um espaço, O Cercadinho, onde acontecem as interações. Em algumas fases, está cheio de “queridas”, mas em outros, quase vazio. O Cercadinho é o resultado das conquistas amorosas, onde cada um preenche à sua maneira e gosto. Pode ter o critério de cotas e uma de cada: loira, morena, mulata, ruiva e/ou japa. Com faixas etárias e tipos variados. Até monogâmico com apenas uma mulher selecionada.
Neste blog, somos cinco homens escrevendo relatos e histórias, sem pretensão literária sobre O Cercadinho. Heitor faz o estilo confuso e rebuscado. Apaixonante e cafajeste, este é Wanderlei. Já Cebola faz o estilo 100% sincero e sem rodeios. Seco, objetivo e um pouco bagual com sentimentos, assim é Iberê. E Marcão, bom, esse é trash total. Entre no nosso Cercadinho e boa leitura.
Iberê
Saudades da Diletante… dois meses!!!